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    02/03/2018, por "Dom Edgar Ertl"

    José vendido e o tráfico humano

    "É Raquel que chora seus filhos e não quer ser consolada, porque eles não existem mais" (Jr 15,31).
    O tráfico de seres humanos permeia a história da humanidade. É uma prática milenar vender pessoas. Uma prática absurda, diga-se de passagem. Inadmissível! Mas infelizmente ela existe. Vendem-se pessoas como se fossem objetos de negócios, "pessoas mercadorias". Que tristeza, que crime hediondo!
    No Livro do Gênesis, cap. 37,23-36, encontramos uma passagem, onde os filhos de Jacó vendem seu irmão José aos ismaelitas ao preço de vinte moedas de prata: "Vamos vendê-lo aos ismaelitas, mas não ponhamos as mãos sobre ele: afinal, é irmão nosso, de nossa carne e sangue". Os ismaelitas compram José e o levam para o Egito. Mentiras foram ditas ao pai Jacó. Ele chorou, sofreu às entranhas da alma o desaparecimento de seu filho. Um pai em lágrimas, desesperado, decepcionado, sem mais perspectiva que a morte: "Descerei ao túmulo em luto por meu filho", exclama-se. Um pai enganado e traído, um pai com poucas esperanças de reencontrar seu filho José. "Onde está José, meu filho?", "Por que ele não retorna à nossa casa"? São as perguntas sem respostas de Jacó, pai de José. Mas seus outros filhos sabiam onde estava o irmão e porque fora negociado. José tinha sonhos. Era um sonhador!
    A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) conta há dois anos com a Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH) que objetiva, sobretudo "à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, ser presença viva e profética no enfrentamento ao tráfico humano, como violação da dignidade e da liberdade, defendendo a vida dos filhos e filhas de Deus". A Igreja está preocupada com esta dramática realidade. "É preciso como quer o papa Francisco que a gente não se satisfaça em ficar só nos templos, na sacristia, mas que sejamos uma igreja em saída, nas praças, planícies, uma presença no mundo e uma incidência para que o ser humano seja respeitado na sua dignidade de pessoa, de cristão e filho de Deus", disse Dom Enemésio Lazzaris, presidente da CEPEETH.
    A Igreja nos quer ajudar a refletir sobre esta gritante realidade na vida de tantos "Josés" vendidos, negociados e traficados. São muitos os pais "Jacós" que choram seus filhos desaparecidos, extraviados e sem retorno. "Onde está o teu/nosso irmão, nossa irmã"? A desigualdade social, a pobreza e a miséria, para o bispo, são maiores responsáveis por tornar as pessoas mais vulneráveis a estas situações. "As pessoas, por dinheiro, aceitam qualquer proposta".
    Quem ainda não viu ou não leu em rodoviárias, aeroportos, colégios, igrejas e nos comércios placas dizendo "desaparecido/a" ou "procura-se"? Até nos tickets nas praças de pedágios existem campanhas para encontrar "pessoas desaparecidas". Por que desaparecem crianças recém nascidas nos berçários de hospitais? Crianças que desaparecem das creches, das escolas, dos parques, e da própria família/casa? E os/as adolescentes desaparecidos para onde vão? Qual o destino destas indefesas criaturas? E os adultos, homens e mulheres que desaparecem sem vestígios? O que acontece? Foram vendidas? Negociadas por 20 moedas de prata? Ou lhes foram prometidas uma vida melhor, lá no outro lado do Oceano, as grandes cidades e centros importantes onde "há farturas" e facilidades, onde se ganha muito com pouco trabalho? Por que as pessoas são vendidas? Quem está por trás deste "diabólico negócio"? Quem as ilude? Quem ganha com o tráfico de seres humanos? Quem são as pessoas vulneráveis que devemos protegê-las, ampará-las hoje diante do comércio de órgãos, da prostituição, especialmente entre outros males que conhecemos? O que estamos fazendo concretamente para denunciar este "negócio do mal"? As perguntas são tantas, como tantas foram as perguntas de Jacó quando, seu filho José fora vendido. 
    "É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5,1). Inspirados no Evangelho, nos valores da dignidade humana e na proposta da CNBB, somos convidados a nos comprometer com a erradicação do tráfico de seres humanos nos lugares onde habitamos. A vida tem um valor inestimável; a vida é inegociável. Ela é um dom divino. Fomos criados e recriados à imagem e semelhança de Deus e de seu Filho Jesus Cristo, logo somos todos "irmãos de carne e sangue", pessoas livres. O Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico Humano foi celebrada pela primeira vez em 08 de fevereiro de 2015, sugerido pelo Papa Francisco.
     
    Dom Edgar Ertl

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