Diocese de Palmas e Francisco Beltrão

Bem Vindos, 11 de Dezembro de 2017

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► JORNAL DIOCESANO

    13/10/2017, por "Pe. Vagner Raitz"

    LITURGIA E MISSÃO SÃO DOIS MOMENTOS DO MESMO AMOR


    Como amar nossos irmãos se não acolhemos antes Aquele que nos ama primeiro? Sabemos que a missão antes de ser um "fazer" é um "receber".  Facilmente podemos erguer um muro entre liturgia e missão, considerando liturgia o que se vive dentro da Igreja e missão o que se vive fora da igreja. O mesmo acontece com oração e ação. Liturgia e missão, oração e ação são duas faces do mesmo Mistério, dois momentos do mesmo Amor. 
     
    É conhecida a história do barqueiro cujo trabalho era atravessar as pessoas em um rio muito largo. A canoa dele era dessas de dois remos, presos nas laterais da canoa, um de cada lado, que ele puxava com as duas mãos. Ele escreveu em um dos remos: Oração. No outro: Ação. Um dia, ele estava atravessando um senhor, e este, conversando sobre as duas palavras, ridicularizou a oração, dizendo que o principal era o trabalho. O barqueiro então, sem dizer nada, deixou de lado o remo da oração e começou a remar só com o da ação. Naturalmente, a canoa começou a rodar no meio do rio e não ia para frente. Ao contrário, ela estava descendo na correnteza, sendo que dois quilômetros abaixo havia uma cachoeira. O homem ficou com medo, parou de argumentar e suplicou: "Pare com essa brincadeira, senão nós morremos!" O barqueiro pegou os dois remos, remou rio acima e chegou ao porto.
     
    "Ite, missa est", preciosa expressão que concluía a missa tridentina (missa em latim) que é lembrada carinhosamente por tantos senhores e senhoras que a celebraram. "Ite, missa est" não significa apenas que a missa acabou, mas sim, que se inicia uma longa jornada para os cristãos que se alimentaram da Palavra e da Eucaristia. Aliás, as palavras "missa" e "missão" nascem da mesma raiz latina "mittere".
     
    Evidencia Corbon que, "a Liturgia e a Missão devem ser vividas na unidade do mistério. Jamais terá sentido opor, justapor ou preferir uma à outra. Não são duas especializações ou duas faces da Igreja. A Igreja não é uma quando celebra a liturgia dentro da Igreja e outra quando sai em missão fora da Igreja. A Igreja não tem uma face voltada para Deus e outra voltada para os homens". 
     
    Com frequência aproveitam-se as celebrações litúrgicas para fazer campanhas missionárias e o modo como se motivam tais campanhas dá a impressão que estamos abrindo uma janela dentro da celebração para acrescentar um elemento de fora. Caros amigos, a liturgia, não deveria ser ocasião de campanha missionária. Ela, em si, é fonte de missão. Agora, para ser fonte de missão, a liturgia antes de tudo precisa ser lugar de experiência de Deus; precisa ser encontro verdadeiro com os irmãos e encontrar-se com os irmãos vai muito além de nos sentarmos no mesmo banco da Igreja; precisa ser um espaço de uma leitura cordial e vivificante da Palavra de Deus, mais que uma doutrina moralista. 
     
    Um dos grandes desafios que a liturgia tem diante de si, nos dias atuais, nos lembra a CNBB, é o desafio que vem da visão angelical, desligada do mundo, da história, onde a participação nas celebrações litúrgicas é o momento de abstrair-se das lutas do dia a dia, transportando-nos para uma realidade etérea e alucinante, totalmente contrária à natureza da liturgia. A celebração deverá recuperar a ligação da vida com a liturgia, celebrar o mistério pascal de Cristo presente e em realização na vida do povo.
     
    Outro grande desafio na dimensão litúrgica, diz respeito à preparação das celebrações litúrgicas, e daí que é mais fácil copiar elementos de uma celebração que passa na TV ou seguir tão somente aquilo que o subsídio litúrgico que temos à mão nos oferece. Pensemos no folheto da missa ou da celebração da Palavra. Quantas vezes a celebração se resume tão somente a uma leitura de ponta a ponta daquilo que está no folheto. O folheto ou outros subsídios devem auxiliar na preparação da celebração, um olho pode estar ali sim, mas o outro precisa estar na vida da comunidade, no hoje da história da comunidade. Precisa-se desconstruir o muro que separa a vivência "fora da Igreja" daquilo que se celebra "dentro da Igreja". 
     
    A celebração litúrgica precisa ser o momento onde se celebra a missão e ao mesmo tempo a fonte de onde emana a força da missão. O Concílio Vaticano II nos diz que "a liturgia é o cume para o qual tende toda ação da Igreja" (Sacrosanctum Concilium, 10), ou seja, a liturgia é o ponto alto de todo trabalho missionário. Diz-nos também, o mesmo Concílio, que a liturgia é primordialmente fonte de toda vida cristã (Lumen Gentium, 11). Da Liturgia nasce a força e o dinamismo missionário da Igreja e para a liturgia se encaminha e nela se coroa o trabalho missionário da Igreja.
     
    Hoje, não mais ouvimos "Ite, missa est", mas continuamos ouvindo ao final da celebração "IDE! O Senhor vos acompanhe!", "A alegria do Senhor seja a vossa força", "Glorificai o Senhor com vossa vida!", "Levai a todos a alegria do Senhor ressuscitado!" e de nosso coração, alimentado pela partilha da palavra e da Eucaristia, fortalecido pelo encontro com os irmãos e irmãs, brota a expressão de júbilo pelo dom da Liturgia e da Missão: "Graças a Deus!".

     

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