Diocese de Palmas e Francisco Beltrão

Bem Vindos, 11 de Dezembro de 2017

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► JORNAL DIOCESANO

    13/10/2017, por "Pe. Emerson Detoni"

    CONSELHO OU DIRETORIA?


    Pe. Emerson Detoni
    Para responder à pergunta, é preciso voltar na história. Em Jesus Cristo (vida, paixão, morte e ressurreição) a comunidade vê a fundação da Igreja, a qual foi manifestada na efusão do Espírito Santo (Pentecostes). Atos dos Apóstolos (4,42) relata que a comunidade cristã: nasce do anúncio que provoca conversão; cresce graças à catequese (ensinamento); se espalha através do testemunho (comunhão fraterna); mantém-se pela união com Deus (oração) e pela participação na Páscoa de Jesus (Eucaristia).
     
    Nos seus primeiros anos, a Igreja enfrentou muitas perseguições e por isso, os cristãos se reuniam nas casas. Em 313, com o Edito de Milão, ganhou liberdade e então era possível manifestar publicamente a fé. Em 381 o cristianismo tornou-se religião oficial do império. As comunidades foram se organizando conforme a vida social, com territórios determinados e administração estabelecida. Já não se reuniam nas casas. A vida das pessoas se desenvolvia ao redor da Paróquia. Existia uma ligação estreita entre Igreja, Estado e Sociedade.
     
    No segundo milênio houve uma separação entre os poderes espiritual e temporal. Uma sociedade perfeita (Igreja) e uma imperfeita (Civil). Para afirmar o seu poder, enfatizou-se uma noção de Igreja mais como instituição jurídica do que como Sacramento.

     

    Sociedade e Diretoria
     
    No Brasil, o catolicismo chegou marcado pelas ordens religiosas e as irmandades de fiéis. Cada fiel aderia a uma associação religiosa de acordo com a sua preferência ou devoção. O leigo atuava na capela, onde se rezava o rosário e se realizavam as procissões. A Paróquia era o lugar do padre e de receber os sacramentos.
     
    Nesse período de associação/sociedade, existiam as diretorias das comunidades e paróquias. Bem como os chamados "sócios". Uma linguagem que ainda está presente no inconsciente de muita gente que diz: "faço parte da diretoria", "minha comunidade tem tantos sócios". Mas, a Paróquia não é uma sociedade. Os fiéis não são sócios. As lideranças não formam diretoria. A Paróquia é comunidade, é comunhão das pessoas entre si e com Deus. Os fiéis são membros do corpo de Cristo. As lideranças formam o Conselho Pastoral.

    De Diretoria para Conselho
     
    O Concílio Vaticano II, através da compreensão da Igreja como povo de Deus e da eclesiologia de comunhão, superou a concepção insuficiente e falha da Igreja como "sociedade" e propôs o retorno às fontes, ao verdadeiro sentido da Igreja. Enfatizou que a Igreja de Cristo, Povo de Deus, está presente na Igreja Particular. A comunidade ou a Paróquia sozinha não é a Igreja, mas está em comunhão com as demais paróquias e comunidades que formam a Diocese, sob os cuidados do bispo, o qual é sucessor dos apóstolos e a quem toda a Diocese deve obediência. 
    A paróquia não pode estar separada da vida diocesana. A comunhão se expressa na oração, nos vínculos de pertença e na ação pastoral orgânica. O Espírito Santo atua para que a comunidade cristã não se reduza a uma realidade sociológica ou como muitas vezes repetiu o Papa Francisco, não se torne uma ONG. 
     
    Enfática é a afirmação da CNBB:
    "Na fé cristã, não há lugar para capelas fechadas, em forma de sociedade ou clube. Algumas têm diretorias e outras vivem em função de festas, almoços e bailes. Parecem mais um clube social que não tem como finalidade principal a evangelização" (CNBB, Doc. 100, n. 35).
     
    A Igreja é comunidade inspirada na Santíssima Trindade, ela é mistério, é mais do que se vê. A Paróquia vive uma comunhão com a Diocese. E esta, por sua vez, com as outras dioceses, que são, na totalidade presididas pelo Papa. Não existe cristão sozinho, comunidade cristã isolada ou diocese católica fora da comunhão. Logo, aquele discurso, "aqui quem manda somos nós", não funciona dentro da Igreja.
     
    Numa renovação paroquial, conforme sugere a Conferência de Aparecida (2017), a participação do leigo é essencial, precisa ser fomentada. É indispensável sua contribuição nos conselhos pastorais e de administração. Mas esses devem ser formados por pessoas que participam ativamente da vida da Igreja. "Especialmente o Conselho de Assuntos Econômicos não pode ser uma 'diretoria' ocupada apenas com construções e reformas" (CNBB, Doc. 100, n. 291). 

    O Conselho Pastoral
     
    Os Estatutos da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão definem o Conselho como um organismo consultivo, que sob a presidência do pároco, planeja, organiza, lidera, coordena e avalia a pastoral de conjunto da Paróquia ou comunidade, exprimindo a unidade e corresponsabilidade, na comunhão eclesial. Visa ser um elemento de integração das pastorais e movimentos, respeitando a identidade e a autonomia de cada um deles.
     
    Sua principal missão é promover o bem espiritual e temporal da comunidade, em comunhão com os padres e fraterna participação com os irmãos. É o Conselho que no uso de suas atribuições levanta as reais necessidades da comunidade, zela para que o Plano da Ação Evangelizadora seja executado, promove a unidade dos membros do conselho entre si e com a Matriz, administra os bens materiais da comunidade; implanta e responsabiliza-se pelo dízimo, organiza festas religiosas, libera recursos para formação de agentes de Pastoral e proporciona lazer sadio.
     
    Através dos conselhos, os leigos vivem a comunhão e a participação, sentem-se responsáveis pela comunidade e assumem o compromisso cristão. Por isso, é preciso estimular o funcionamento do Conselho Pastoral Paroquial, bem como o Conselho de Assuntos Econômicos (CNBB, Doc. 100, n.290).

     

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