Diocese de Palmas e Francisco Beltrão

Bem Vindos, 11 de Dezembro de 2017

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► JORNAL DIOCESANO

    13/10/2017, por " Pe. Wolney Toigo"

    A Igreja existe para Evangelizar


    Pe. Wolney Toigo
     
    Na Sagrada Escritura, a evangelização está estreitamente relacionada à história da salvação, ao desígnio de Deus "que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade." (1Tm 2, 4). Dessa forma, a evangelização está ligada ao envio: "Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos mandei." (Mt 28, 19-20a). 
     
    Esse envio justifica e motiva o porquê a Igreja existe e está no mundo. A justificativa primeira é a evangelização, que do grego Ɛʋɑɳɡɛɭɩǒɳ, significa: "anunciar boas notícias". Este sempre será o mandato missionário que Jesus Cristo deu aos apóstolos e aos discípulos de ontem, de hoje e do amanhã. É um ato de obediência fundamental que a Igreja deve prestar, até o fim da história, à vontade de seu Mestre, Senhor e Salvador. Por isso, a Igreja procurou sempre tomar consciência de sua natureza evangelizadora. 
     
    O Sínodo dos bispos de 1974, cujas conclusões estão escritas na Exortação Apostólica Sobre a Evangelização no Mundo Contemporâneo - Evangelii Nuntiandi (EN) - O Anúncio do Evangelho - de Paulo VI, um dos documentos da Igreja mais ricos do pós-Concílio, confirma que a tarefa de evangelizar todos os homens torna-se a vocação e a missão primordial, essencial e indelegável da Igreja: "Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, sua mais profunda identidade" (EN 14). Já o Papa Francisco, 40 anos depois, com a Exortação Pós-sinodal de 2013, Evangelii Gaudium (EG) - A alegria do Evangelho - sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, lembra que "A evangelização é dever da Igreja" (EG 111). 
     
    Para cada época, a Igreja se interroga sobre como evangelizar num mundo de contínua e acelerada mudança. Como evangelizar o mundo de hoje, a partir dos desafios da realidade atual, na qual se verifica a primazia do ter sobre o ser, em que tudo é refletido e buscado à luz puramente do aspecto econômico, da luta por poder e da corrida desenfreada pelo prazer fugaz e fútil, levando à perda da dimensão ética e moral da vida humana e global. Paulo VI referia-se à complexidade da ação evangelizadora (EN 17); Francisco atenta para o delineamento de um preciso e renovado "Estilo Evangelizador" para qualquer atividade que a Igreja realize (EG 18). Todavia, podemos destacar os elementos e aspectos comuns para as duas Exortações Apostólicas, na esteira do que proporcionou o Concílio Vaticano II, em suas principais constituições e decretos, pertinentes ao que se refere ao significado da evangelização, seu conteúdo, o modo mais eficaz de evangelizar, os caminhos da evangelização e seus protagonistas; e, por fim, sobre o espírito da evangelização. Reflitamos sobre os seguintes aspectos da evangelização:
     
    1- O Significado da Evangelização
    (EN 17-24 e EG 9-18): 
     
    Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e lugar, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade; Na evangelização o que está em jogo é a Salvação dos homens; Evangelizar é mandato de Jesus Cristo, Senhor e Mestre: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16,15); Se Jesus foi evangelizador, sua Igreja, necessariamente, deverá sempre ser evangelizadora;  Evangelizar é fazer Evangelhos hoje em nossa realidade, em nosso contexto. Por isso devemos conhecer bem onde estamos evangelizando; A evangelização, por força da Palavra de Deus, impele os homens à conversão: trata-se, portanto, assumir uma vida em conformidade com o Evangelho, no seguimento de Jesus, na renúncia de tudo aquilo que se torna obstáculo o assumir a cruz. É deixar-se transformar por dentro, a mudança é primeiro interior. Nossa maneira de pensar (a mentalidade), os valores, nossos critérios de julgamento (Rm 12,2); e quem foi evangelizado evangeliza. Está nisso o teste da verdade, a pedra de toque da evangelização; Evangelizar é estar a serviço do Reino de Deus: fazer chegar a mensagem de Jesus Cristo, seu amor e seu perdão a todos os âmbitos de nossa comunidade eclesial e da sociedade.

     

    2- O Conteúdo da Evangelização
    (EN 25-39 e EG 19-24;110;176):
    Indicam-se aqui apenas alguns elementos, aqueles essenciais, como:
    Encontro com Jesus Cristo que renove as relações de solidariedade e justiça. Ignorar as injustiças é ignorar a doutrina evangélica do amor ao próximo. Por isso, que evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo. O dar testemunho de que no seu Filho, Deus amou o mundo. É preciso tornar expresso que o Criador não é uma potência anônima. Ele é Pai (relações personalizadas).
     
    A salvação de Jesus Cristo deve ser o centro e o ápice de todo o dinamismo evangelizador. Jesus Cristo não é apenas o modelo para existência histórica dos cristãos. Seu dom tem alcance transcendente; Suscitar a esperança que motiva a viver sob o signo do amor de Deus e que inspira perdão, comunhão, reconciliação;

    3- A Eficácia da Evangelização
    (EN 6-16 EG 50-109):
    Testemunho de vida e comunhão constitui-se uma proclamação silenciosa, mas muito eficaz da Evangelização. O exercício da misericórdia, do acolhimento, a comunhão de vida, a solidariedade, a partilha, o anseio por paz e justiça, o testemunho de honestidade e de amor à verdade são expressões fundamentais da evangelização. O testemunho de comunhão transforma-se em fonte de credibilidade para a Palavra proclamada: "Nisto reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13,35);
     
    Outro aspecto de como evangelizar é anunciar com clareza e convicção aquilo que cremos e celebramos; "estando sempre prontos a dar razão da nossa esperança a todo aquele que nô-la pede" (1Pd 3,15);
     
    É preciso falar de Jesus Cristo de maneira clara, corajosa e explícita. Nunca haverá evangelização se o nome, o ensinamento, a vida, as promessas, o mistério de Jesus de Nazaré, filho de Deus, não forem anunciados;
     
    Tal anúncio deve ser orientado a suscitar a adesão do coração. Tal adesão nunca pode ser abstrata e desencarnada. Ela se manifesta concretamente por uma entrada e participação visível e sensível numa comunidade de fé;
    Como explicar aqueles católicos, lideranças formadas e atuantes, que desanimam e abandonam a evangelização e tornam-se somente participantes esporádicos da vida da Paróquia? O que faltou a eles (as)? Culpa de quem?

     

     

    4- Os Caminhos da Evangelização
     
    (EN 40-48 e EG 122-129.160-175):
    O testemunho da vida: o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres. Se se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas; A evangelização encontra na Bíblia sua fonte. É indispensável que a Palavra de Deus se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial;
    A Liturgia: o povo de Deus espera sempre poder tirar fruto da reflexão exposta nas celebrações. Seu potencial evangelizador será sempre mais pronunciado quando ela for simples, clara, direta, adaptada, profundamente aderente ao ensinamento evangélico, animada por ardor apostólico, cheia de esperança, nutriente para a fé e geradora de paz e unidade; Os Sacramentos: são fonte de graça e santidade. Tocam a vida natural de cada uma transfigurando-lhe o sentido da mesma. E a vida sobrenatural assegurando a comunhão com Deus; A Catequese quando consegue incutir nos catequizandos, em sua memória, em sua inteligência e em seu coração aquelas verdades essenciais que deverão impregnar suas vidas. Para tanto é preciso suscitar "paixão" nos catequistas e formação para os mesmos; Os Meios de Comunicação Social postos a serviço do Evangelho: se não se servir deles a Igreja será culpável diante do Senhor. E quando o faz é para penetrar nas consciências, entrar nos corações de maneira a alcançar adesão e compromisso pessoal com Jesus Cristo; O Contato Pessoal: o próprio Senhor fez esta escolha (Nicodemos, Samaritana, Zaqueu). Por esta via a consciência de uma pessoa é atingida positivamente, tocada pela palavra de outro. Aqui se pode vislumbrar o grande poder do aconselhamento pessoal, do sacramento de reconciliação. As pessoas são individualmente orientadas pelas sendas do Evangelho; A Religiosidade Popular: trata-se de formas particulares de buscar a Deus e cultivar a fé. Há o risco de se limitar a expressões culturais. Mas se bem orientadas traduz uma sede de Deus que somente os pobres e os simples podem experimentar. Bem orientada a religiosidade popular, suscita atitudes interiores que raramente se observam em outros contextos: paciência, sentido da cruz na vida quotidiana, desapego, aceitação dos outros, dedicação e devoção.

     

     

    5- Os Protagonistas na Evangelização 
     
    (EN 59-73 e EG 25-33.111-121):
    Os Ministros Ordenados: Aquilo que constitui singularidade ao nosso serviço; aquilo que dá unidade profunda às mil e uma tarefas que nos solicitam ao longo do dia e da nossa vida, enfim, aquilo que confere às nossas atividades uma nota específica, é essa a finalidade presente em todo o nosso agir: anunciar o Evangelho de Deus;
    Os Religiosos: eles se situam no dinamismo da Igreja sequiosa do Absoluto de Deus e chamada à Santidade. São o traço explícito e encarnado da disponibilidade total para Deus, para Igreja e para os irmãos. Seu testemunho de despojamento, de transparência, de santidade é uma constante interpelação para os nossos tempos; Os Leigos: seu potencial evangelizador situa-se em dois âmbitos. O primeiro é por em prática todas as possibilidades cristãs e evangélicas escondidas, mas já operantes e presentes na história do mundo. Mas também são fundamentais como ministros não ordenados, como membros atuantes na estrutura das comunidades, nas pastorais e movimentos da Igreja. Um olhar retrospectivo às origens da Igreja é muito elucidativo para que nos beneficiemos desta experiência; A Família: lugar da primeira experiência de evangelização. Significa que cada família cristã deveria fazer brilhar em casa os diversos aspectos da Igreja. A cada família cristã cabe a responsabilidade de manter um espaço no qual o Evangelho é transmitido e irradiado.

    6- O espírito da Evangelização e seu Compromisso Social 
     
    (EN 49-58.74-82 e EG 177-258.259-283):
    Sob a moção do Espírito Santo: Jesus evangelizou porque dotado da força do Espírito de Deus. Foi assim também a experiência dos primeiros cristãos. Somente haverá evangelização lá onde os evangelizadores se deixam mover pelo mesmo Espírito (Espírito/espiritualidade). Sem espiritualidade o esforço evangelizador, mesmo que o mais convincente fica fadado a permanecer ineficaz; Animados pelo amor: a obra da evangelização pressupõe no evangelizador um amor fraterno, sempre crescente, para com aqueles que ele evangeliza. Não basta a feição do pedagogo. Paulo falava de "afeto materno" (1Ts 2,8). Indicam-se aqui alguns sinais de quem evangeliza com amor: promover a unidade, doação, renúncias de si mesmo, paz, respeito pelos limites dos outros; Entusiasmo: os grandes evangelizadores sempre foram entusiastas da causa do Evangelho. A falta de entusiasmo torna-se um obstáculo à evangelização porque procede de dentro, do interior de quem evangeliza; sinal deste obstáculo manifesta-se no cansaço, na desilusão, na acomodação, no desinteresse, enfim na "acedia pastoral". Sobretudo manifesta-se na falta de alegria e esperança; A preocupação com o cultivo da espiritualidade dos evangelizadores. Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que se abrem sem medo à ação do Espírito Santo; evangelizadores que rezam e trabalham que não cultivam uma espiritualidade desprovida de um vigoroso compromisso social e missionário. É preciso rejeitar a tentação de uma espiritualidade intimista e individualista, que dificilmente se coaduna com as exigências da caridade e com a lógica da encarnação; A dimensão social da evangelização: evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo, é amar a Deus, que reina no mundo. O Papa, portanto deseja partilhar suas preocupações relacionadas com a dimensão social da evangelização, precisamente porque, se esta dimensão não for devidamente explicitada, corre-se o risco de desfigurar o sentido autêntico e integral da missão evangelizadora. O Papa se detém em duas grandes questões, que segundo ele, são fundamentais neste momento da história e que irão determinar o futuro da humanidade: a inclusão dos pobres e a questão da paz e do diálogo social; A opção preferencial pelos pobres deve traduzir-se, principalmente, em uma solicitude religiosa privilegiada e prioritária. Ninguém pode sentir-se exonerado da preocupação pelos pobres e pela justiça social.
     
    Para concluir, entendamos que a Igreja enquanto Instituição existe como suporte para a missão evangelizadora. As estruturas eclesiais, sejam elas litúrgico-sacramentais, sejam catequético-pastorais ou administrativo-patrimoniais, devem estar a serviço da evangelização. Desta forma, as estruturas estão para a missão e não a missão para as estruturas. Tudo o que existe na Igreja, de bens materiais e espirituais, deve realizar o fim último da evangelização: no presente, a libertação integral da humanidade e do cosmos e para o futuro, a vida mais plena no Reino que não terá fim.

     

     

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