Diocese de Palmas e Francisco Beltrão

Bem Vindos, 11 de Dezembro de 2017

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► JORNAL DIOCESANO

    13/10/2017, por "Luiz Carlos Bittencourt e Pe. Wolney Toigo"

    ENTREVISTA: Pe. Sidnei Marco Dornelas

    Pe. Sidnei Marco Dornelas, CS. Missionário de São Carlos, scalabrianos. De 1993 a 2009 trabalhou no Centro de Estudos Migratórios. Desde 2010 é Assessor da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e membro da equipe de apoio do Setor Pastoral da Mobilidade Humana, na CNBB. Pe. Sidnei coordenou, em junho 2016, Projeto de Leigos Missionários Ad Gentes, em parceria com comissões para o Laicato e para a Juventude. Também participou do 7º Encontro Nacional da Missão Continental, com o tema "Juventude e Missão Permanente", em Brasília.

     "Igreja em saída: uma Paróquia missionária" foi o tema da 34ª Semana Teológica, promovida pela Diocese de Palmas-Francisco Beltrão, em duas modalidades, de 17 a 23 de julho, na Casa de Formação Divino Mestre. 

     Pe. Sidnei, o que significa a expressão "Missão Continental"?

    Essa expressão foi escolhida pelos Bispos que participaram da V Conferência do Episcopado Latinoamericano e Caribenho, em Aparecida, em 2007, para designar a proposta de colocar todas as igrejas locais no continente em estado permanente de missão. A Conferência de Aparecida não terminou simplesmente com mais um documento final, mas com o firme propósito de nossos pastores em fazer com que a Igreja em todos os lugares da América Latina fosse realmente missionária, fiel ao mandato missionário deixado por Jesus (Mt 28, 19-20). Por isso, na ocasião, a convocação para a Missão Continental ficou conhecida como um chamado à Igreja para um "Novo Pentecostes".
     
    Quais os fundamentos Bíblico-Teológicos da dimensão missionária da Igreja?
    Todo o Novo Testamento descreve a ação missionária de Jesus, o Enviado do Pai, e como ele educou os seus discípulos para serem missionários, por isso os chamou de apóstolos. O Espírito Santo enviado desde o início da Igreja aos seus discípulos, como nos relata os Atos dos Apóstolos, foi fazendo com que a Igreja fosse descobrindo sua identidade na medida em que levava o anúncio do Evangelho e formava comunidades, até os confins da terra. As cartas de Paulo, e a dos outros apóstolos, são todos documentos que atestam a vitalidade de uma Igreja missionária desde os seus primórdios. Portanto, esse chamado à missão recupera o princípio mais genuíno da vocação da Igreja.
     
    Como fazer a interação: missão e compromisso social da Igreja nos tempos atuais?
    Em primeiro lugar, é preciso afirmar que tanto a missão como o compromisso com a caridade social possui a mesma fonte: o coração amoroso de nosso Deus. É do coração da Trindade que brota o impulso para a missão e para fazer o bem aos outros. À semelhança de Jesus, que foi o missionário do Pai, e passou pelo mundo fazendo o bem, também a Igreja, no contexto atual, deve buscar os caminhos para "sair" e anunciar o Evangelho, a começar por um verdadeiro testemunho de solidariedade e de empenho pela justiça. Não existe contradição entre missão e compromisso social, mas complementaridade. Não pode haver missão sem compromisso com o bem comum, com a caridade e com a justiça.
     
    Quais os desafios da missão da Igreja, hoje?
    São muitos e difíceis de descrever rapidamente, mas podemos destacar o despertar da paixão pela missão, nos jovens. Não existe missão sem missionários, e para se fazer presente nas frentes missionárias - na Amazônia ou em regiões empobrecidas, nas periferias urbanas e comunidades carentes, nas periferias "existenciais" - é preciso despertar a vocação missionária de mais e mais pessoas generosas dispostas a dar sua vida pelo Evangelho. Além disso, é preciso um esforço de preparação desses missionários e fazer com que todas as comunidades se conscientizem que a abertura para a missão é essencial para a revitalização da caminhada de toda a Igreja.
     
    Quais as luzes e sombras da atuação missionária na Igreja, nos tempos atuais?
    As luzes vêm da constatação de que o Espírito Santo continua despertando vocações missionárias e gerando experiências inovadoras no campo da missão e da cooperação missionária. Isso nos enche de esperança. As sombras também são muitas: as realidades de exploração, violência, de indiferença e falta de compaixão em relação aos pobres é algo que nos causa muita tristeza. O modo como são perseguidos e reprimidos os migrantes, os indígenas, a população de rua, os pobres que moram nas periferias, entre outros, são sinais de que não podemos relaxar no anunciar e testemunhar a Boa Nova do Reino de Deus.
     
    O que significa "cooperação missionária"?
    A cooperação com a missão é o "dever" que todos nós recebemos no nosso Batismo. Somos chamados a cooperar com a missão da Igreja de anunciar, testemunhar e servir o Reino de Deus. Esse dever, o cumprimos por meio da nossa oração, da ajuda material e de nossa disponibilidade de também participar da missão, mesmo nos lugares em que vivemos. Em nível de Diocese, a cooperação se expressa pela solicitude, pela vida de outras Dioceses, pois as Igrejas são "irmãs" umas das outras, e devem ajudar-se mutuamente para que todas, e a Igreja Católica no mundo todo, possam cumprir o mandato missionário que o Senhor nos deixou.
     
    Como nossas comunidades paroquiais podem, concretamente, exercer sua vocação missionária?
    A Paróquia é a presença da Igreja no território. Ela é mais do que os espaços físicos em que se encontram o templo, a secretaria paroquial, as salas de catequese e dos movimentos, os espaços de reunião e confraternização. A Paróquia é o território em que se formam os ambientes nos quais se encontram as pessoas no bairro ou na cidade. A Paróquia será missionária se for ao encontro dessas pessoas nesses ambientes, e se for uma casa aberta e acolhedora para todos aqueles que virem a ela. 

    Explique as dimensões da missão: animação pastoral, nova evangelização e ad gentes?
    O âmbito ou dimensão da pastoral diz respeito a tudo o que a Igreja faz na evangelização e no acompanhamento pastoral das comunidades constituídas e já estruturadas. A pastoral atinge os cristãos que participam frequentemente, sendo que muitos deles assumem responsabilidades na liturgia, na catequese, nas pastorais sociais, colaboram na administração das paróquias, animam movimentos, etc. Quanto à Nova Evangelização, se busca atingir os cristãos afastados da Igreja, ou aqueles que abandonaram ou que sempre se mantiveram distantes da Igreja. As pastorais sociais, a solicitude pelos pobres, as missões populares, a pastoral da visitação nas suas diferentes formas, são a expressão da Igreja que procura ser presença profética e missionária nos diversos ambientes de nossa sociedade. Por fim, a missão ad gentes é o grande horizonte da missão da Igreja e aquela que dá sentido à própria catolicidade da Igreja, como forma de cooperação entre as Igrejas. 
     
    O que caracteriza uma Paróquia Missionária?
    Numa Paróquia Missionária, todas as suas atividades, serviços, grupos, estruturas físicas estão a disposição e se orientam para a missão. Nela existe um esforço para que cada batizado se descubra como discípulo missionário, e por isso procurará criar espaços de participação para todos, não só no interior de suas dependências físicas, mas nos vários setores do seu território: grupos de família, de rua, condomínios, etc. Para tanto, é muito importante conjugar os esforços de pastoral de visitação, de missões populares, entre outros, num planejamento pastoral participativo, em conselhos, em assembleias, em espaços de diálogo, que permitam uma sadia articulação da participação de todos.

     

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