Diocese de Palmas e Francisco Beltrão

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► JORNAL DIOCESANO

    09/08/2017, por "Luiz Carlos Bittencourt"

    AQUELE QUE SOU... FAMÍLIA

    Dilma Schirr

     

    "(...) a estrutura da sociedade reflete a natureza do indivíduo e de família (...)".Winnicott O pediatra e psicanalista Winnicott, em seu livro "Tudo Começa em Casa," narra suas convicções acerca do indivíduo e da família. Ele acredita que ambos são fruto e reflexo da sociedade em que se vive. Mas o que constitui uma família hoje?
     
    Atualmente, deparamo-nos com novos modelos familiares, assim como novos papéis e novas funções a serem desenvolvidas e dinamizadas pelos membros que as compõem. Segundo o dicionário Michaelis, família é caracterizada por um grupo de pessoas consanguínea ou não que habitam num mesmo lar.
     
    Tempos atrás, uma família tradicional se organizava com poder hierárquico e rigidamente centralizado na figura do pai. O pai era normalmente o provedor e a mãe a cuidadora responsável pela educação. Hoje, na maioria dos casos, ambos pais são responsáveis para assumirem esses papéis. Existem outros tipos de família como a monoparental, a homoparental, a de pais separados, a ampliada, dentre outras.
     
    É na base da família que se inicia a jornada da vida para vivências e experiências tanto internas como externas e que moldarão a arquitetura cerebral durante o desenvolvimento. Neste contexto a criança cresce, desenvolve-se, cria hábitos, absorve valores, padrões e tradição e forma a base de sua personalidade, que se estabelece em torno de sete e oito anos,
     
    segundo teorias psicológicas. Essa base constituída na infância irá se refletir na vida adulta, inclusive nos pensamentos, sentimentos e ações cotidianas conscientes ou inconscientes. Essa formação será mais coerente e saudável quanto mais gerida e observada nos padrões da ética e da moral recebida na família e na cultura em que vivem.
     
    No ciclo vital, que percorre uma família, do nascer ao morrer, existe também a possibilidade do sofrimento que atravessa a existência, como exemplo uma doença crônica, um acidente de trânsito, uma perda precoce, um vício, uma doença psiquiátrica, etc. Como cada família enfrentará tais obstáculos dependerá, em parte, dos recursos psicológicos e redes protetoras auxiliares.
     
    Recursos psicológicos como consciência clara, equilíbrio dinâmico, serenidade, em momentos de luto e sofrimentos, são fundamentais para que a pessoa não entre em desespero.
     
    Observar cada fato e experiência que ocorre na vida com quietude e esperança, possibilita o discernimento para melhores desfechos. Da mesma maneira, deve-se levar em consideração a família ampliada (como avós e outros parentes) cujo objetivo é promover ajuda, principalmente nos momentos mais difíceis e desesperançosos, levando amor e compaixão. Reafirmando a concepção anterior de que é na base familiar que se constrói a personalidade, a teoria psicossocial do desenvolvimento de Erik Erickson afirma que as virtudes ou as patologias nascem dos estímulos ambientais e dos modelos das pessoas que cuidam das crianças.
     
    Erickson afirma que a confiança básica é fundamental para desenvolver a virtude da esperança. Essa virtude é desenvolvida preferencialmente em um ambiente facilitador, isto é, na presença de alguém que cuide da criança com assiduidade e amor. Assim, é provável, segundo ele, construir uma concepção de vida otimista. Ao contrário, uma criança que é muito frustrada em suas necessidades básicas (amor, afeto, respeito, nutrição, segurança, amparo) pode vir a desenvolver um pessimismo exagerado com relação ao mundo. Outras virtudes como o propósito, a vontade, a fidelidade, o cuidado e o amor também decorrem da interação da criança em um ambiente facilitador.
     
    No entanto, dentro de cada pessoa existe um fator que lhe é peculiar e intransferível, que é um processo idiossincrático, que significa a maneira peculiar de cada indivíduo ver, sentir e reagir às diversas situações do cotidiano. Essa particularidade psíquica vai permitir, na vida adulta, fazer as escolhas coerentes ou incoerentes com os valores e a ética.
     
    Portanto, é imperativo e necessário construir uma base de criação das nossas crianças de forma sólida, com condições ambientais, familiares, sociais, econômicas e culturais favoráveis. Assim, será possível promover nas crianças o desenvolvimento das potencialidades que estão em germe, à espera dos estímulos ambientais corretos, direcionando para melhor desenvolvimento cognitivo e psíquico dos indivíduos. O que estamos vivendo na realidade atual, nos dá testemunho dessas condições?

     

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