Diocese de Palmas e Francisco Beltrão

Bem Vindos, 11 de Dezembro de 2017

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► JORNAL DIOCESANO

    09/08/2017, por "Dom Edgar Ertl"

    FAMÍLIA: opção pastoral

    Dom Edgar Ertl

    A Diocese de Palmas/Francisco Beltrão, bem como toda a Igreja do Brasil sentiu-se feliz pela publicação da Exortação Apostólica Pós-sinodal Amoris Laetitia, do Papa Francisco. Foi deveras, um presente à Igreja, mas de modo especial às nossas famílias. Aos poucos precisamos avaliar-nos, se as propostas feitas pelo Papa, já foram incorporadas às nossas atitudes pastorais. Dito de outra maneira: as famílias fazem parte de nossa opção pastoral? Com certeza que nas últimas décadas, talvez nenhum documento eclesial, como a Amoris Laetitia (AL) tenha causado tanta repercussão, quer na sociedade em geral, através da mídia, quer na própria vida da Igreja e suas comunidades. Aqui abordo alguns temas, com perspectivas pastorais que podem ajudar na reflexão com nossas famílias e comunidades da Diocese de Palmas/Beltrão.

    Família

     Dom de Deus. Para o Papa Francisco a família é um dom, uma esperança para o futuro da humanidade. Ele convida-nos a termos um olhar positivo sobre as famílias e não enxergá-las como um problema, mesmo aquelas que vivem em "situação irregular". Aqui

     reside a principal preocupação do papa. Para a Igreja e suas comunidades o tema da família trata-se de uma opção pastoral. O pontífice diz que a família real e concreta é o lugar da manifestação de Deus. Sua afirmação é categórica: "A presença do Senhor habita na família real e concreta, com todos os seus sofrimentos, lutas, alegrias e propósitos diários" (AL 315).

     Conversão Pastoral

    Desde a Conferência de Aparecida, em 2007, tem-se falado em "conversão pastoral". O papa Francisco diz que toda a Igreja, com suas estruturas paroquiais, precisa realizar uma espécie de conversão pastoral familiar, ou seja, toda a pastoral precisa impostar-se em chave de pastoral familiar. Aqui a Exortação sugere, e com urgência e prioridade a Pastoral Familiar. Esta Pastoral precisa envolver a totalidade da ação evangelizadora da Igreja, ou seja, a "Pastoral de Conjunto". Desde a pastoral catequética, da adolescência, a pastoral da juventude, pastoral litúrgica, as pastorais sociais, da criança, dos idosos, das pessoas portadoras de necessidades especiais, inclusive com a pastoral carcerária, a pastoral da Educação e da Comunicação, Movimentos de Cursilhos e Lareira, e síntese, em todas as atividades pastorais, de um modo ou de outro, as famílias estão envolvidas. Noutras palavras, todos precisamos despertar, sair do comodismo, nos colocar no caminho em busca das famílias, deixando de esperá-las, para procura-las por todos os caminhos. O que pretende o papa com esta Exortação Apostólica, então?

    Pastoral da procura

    Precisamos sair da pastoral da espera para a pastoral da procura. É a prática da Igreja em saída, em busca das famílias. Aqui reside o segredo da conversão pastoral. Trata-se de uma verdadeira renovação pastoral. Devemos superar a ideia da espera, sentados confortavelmente em nossas comunidades e irmos às famílias, especialmente as mais fragilizadas pelas vicissitudes do tempo e do atual contexto social, econômico, cultural, religioso e político. Quem são as famílias em nossa diocese que nos esperam, que aguardam com ansiedade pelos agentes de pastoral, os missionários, os discípulos de Jesus Cristo? Quem são as famílias feridas e necessitadas, sobretudo, pela misericórdia e acolhida em nossas comunidades de fé?

    Acompanhar. Não basta esperar ou procurar a pessoa, é necessário acompanhá-la. Essa é a atitude fundamental que determina bem a identidade pastoral de Amoris Laetitia. O papa quer-nos próximos das famílias feridas e machucadas. Quer que entremos em sua situação singular, em sua vida, entender sua mente, seus sentimentos, suas fragilidades e forças, seus dramas e alegrias... De todos, especialmente dos sacerdotes, o papa sugere-lhes proximidade, capacidade de escuta e aconselhamento, sacerdotes disponíveis para estarem ao lado das pessoas e famílias, na hora em que estas precisam.

    Discernir

    À luz da Palavra de Deus, das Orientações da Igreja e, à luz da misericórdia de Jesus de Nazaré, iniciaremos um processo de discernimento da pessoa, de quem fomos em busca, ou que veio ao nosso encontro. Lembra o Papa que "Os sacerdotes têm o dever de acompanhar as pessoas interessadas pelo caminho do discernimento segundo a doutrina da Igreja e as orientações do bispo" (AL 300). Para a Exortação discernir implica estudar cuidadosamente cada caso, com a boa vontade de auxiliar efetivamente a pessoa a encontrar-se com Deus e solucionar seus verdadeiros problemas de consciência. Ainda, é preciso rezar, pedindo as luzes e dos dons do Espírito Santo, para que se veja exatamente qual o melhor modo para descobrir a vontade de Deus e colocá-la em prática.

    Integrar

     A integração é o verdadeiro objetivo de todo o acompanhamento e do discernimento. O Papa não quer uma Igreja que permite ou proíbe, pode ou não pode. Chama-a de "alfândega". Mas, uma Igreja, com Agentes preparados, para acompanhar cada pessoa na sua genuína história de vida. Uma Igreja que mostre e oriente caminhos a serem seguidos, dentro de uma gradual integração, que precisa seguir passos concretos, rumo à inserção total da pessoa na vida da comunidade eclesial.

     Precisamos entender que "dar os sacramentos" não significa necessariamente integrar. O que é fundamental aqui é introduzir cada um na comunidade dos discípulos missionários, num ambiente e consideração sincera pela singularidade da pessoa, para que esta se sinta abraçada pela grande família-Igreja.

     Pastoral Judicial

     Após a publicação do Motu próprio Mitis Judex Dominus Jesus, do Papa Francisco, sobre a reforma do processo canônico para as causas de declaração de nulidade do matrimônio, todas as dioceses começaram a empreender esforços para melhorar seu quadro de canonistas, que se possam colocar a serviço das famílias, especialmente das pessoas que precisam iniciar um processo para a declaração de nulidade matrimonial.

     Nossa Diocese também está nesta caminhada formativa de canonistas. São três sacerdotes diocesanos e um religioso, que atualmente, em Londrina, se preparam para a Pastoral Judicial. Se tudo transcorrer bem, a partir de janeiro de 2018, teremos em Francisco Beltrão o nosso Tribunal Eclesiástico, para servir e ser o "porto seguro" às nossas famílias, particularmente às pessoas que vivem situações delicadas, de acompanhamento, discernimento e integração à comunidade de fé, inclusive em vista de sua reintegração à vida sacramental. Vale dizer que a Exortação Papal, não se trata de um manual ou guia completo para os chamados casos "irregulares", porque o retorno à vida sacramental, embora desejado, nem sempre será possível. Sendo assim, todavia, de maneira pastoral e pela prática da misericórdia, apresentará alguns critérios pastorais que se devem seguir, caso não queiramos cair em algum extremo.

     O bálsamo da misericórdia

     Francisco, o bispo de Roma, conclama-nos a interpretar a vida cristã e nossas famílias desta nossa abençoada Diocese, sempre sob a ótica da misericórdia, do amor preferencial de Deus, através de seu Filho Jesus de Nazaré. Concluímos nossa reflexão deixando nosso Papa falar: "Perante as mais diversas situações que afetam a família, a Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho, que por meio dela deve chegar ao coração e à mente de cada pessoa. A esposa de Cristo assume o comportamento do Filho de Deus, que vai ao encontro de todos sem excluir ninguém. Ela bem sabe que o próprio Jesus Se apresenta como Pastor de cem ovelhas, não de noventa e nove; quer tê-las todas. A partir desta consciência, tornar-se-á possível que a todos os crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus, já presente no meio de nós" (AL

    309).

     

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