Diocese de Palmas e Francisco Beltrão

Bem Vindos, 22 de Outubro de 2017

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► JORNAL DIOCESANO

    09/08/2017, por "Pascom"

    A família não é mais a mesma?

    A família, tal como a conhecemos em tempos idos está mudando. Sua forma de agrupar s pessoas, ou seja, suas configurações, apresentam muitas alterações. Para o IBGE, órgão encarregado de contar o número de pessoas, r e g i s t r o u - s e g r a n d e s n o v i d a d e s n o s ú l t i m o s recenseamentos. No Censo realizado no ano 2000, o IBGE constatou 11 laços de parentesco. Na contagem de 2010, a população cresceu bastante e deu a conhecer 19 laços de parentesco. Na prática, 19 formas de agrupamento familiar. O próprio Papa Francisco, alertou a Igreja dizendo "A família atravessa uma crise cultural profunda, como todas as comunidades e vínculos sociais."

     

     
    O IBGE confirma revelando que, em 2010, "o conceito tradicional de família, composta por casal heterossexual com filhos existe em apenas 49,9% dos lares visitados pelos recenseadores. Em 50,1% dos demais casos, a família apresenta novas formas. E assim, após concluir o Censo de 2010 o IBGE registra a existência de 60 mil famílias homoafetivas, sendo 53,8% formadas por mulheres. Mulheres que vivem sozinhas já são 3,4 milhões, enquanto l0,1 milhões de famílias são formadas por mães ou pais solteiros. Outro dado a ser observado é que a família brasileira encolhe e cada vez mais gente mora só.
     
    Outros números revelam uma realidade nova em termos de família. Conforme o Censo, existem 4,4 milhões de lares formados por pessoas que se separaram anteriormente ou ficaram viúvas. Também foram encontrados pelos recenseadores, 36% de casais que não oficializaram a união nem no civil e nem no religioso. Para o IBGE, a família brasileira passa, nesta última década, pela mesma reconfiguração registrada na Europa a partir dos anos 70. Ou seja, aumentou o número de pessoas que vivem sozinhas, e não se esconde mais os casamentos homoafetivos, os divórcios, as mulheres chefes de família. Também começa a aparecer a olhos vistos, a queda de fecundidade, que atualmente, é de apenas 1,77 filhos por mulher, devendo chegar, em 2030, com apenas 1,5 filho por mulher.
     
    A diminuição do número de filhos, conforme o IBGE, ocorre também pelo adiamento da maternidade, e isto leva a um impacto negativo. Neste ritmo, o Brasil deve chegar em 2042 tendo mais óbitos que nascimentos. Embora o IBGE registre um número expressivo de pessoas divorciadas, outras vivendo sozinhas, muitos lares onde vivem mulheres com filhos e de homens também, o certo é que, para além dos casamentos realizados sob regime civil ou religioso, aumenta o número de pessoas buscando a vida em comum. Os dados do IBGE dão um panorama da realidade, mas a tendência atual é animadora. Como afirma o Papa Francisco em sua primeira exortação apostólica: "A contribuição indispensável do matrimônio à sociedade supera o nível da afetividade e das necessidades do casal. Como ensinam os bispos franceses, não provém do sentimento amoroso, efêmero por definição, mas da profundidade do compromisso assumido pelos esposos que aceitam entrar numa união de vida total".

     

    Família de Dona Eva

    Dona Eva tem 75 anos. Ela casou-se aos 19, e logo tornou-se professora.

    Seu esposo tinha outra profissão. Diz ela que foram felizes, tiveram uma
    filha que veio para consolidar a família. Mas a união não resistiu a
    marca dos 30 anos. Ele foi embora. Dona Eva ficou com a filha jovem e
    continuou lecionando. Também continuou morando na mesma casa
    numa rua pacata, perto do centro de Beltrão. A filha teve um filho. O
    Neto veio iluminar novamente a moradia. "Uma criança era o que nos
    faltava" conta dona Eva. O menino foi crescendo e, aos poucos, dona Eva
    foi fazendo valer seu jeito católico de ver a vida. O menino foi para escola
    e para catequese, recebendo todos os sacramentos, como a avó queria.
    Na medida em que a aposentadoria se aproximava, dona Eva
    descobriu que podia voltar às atividades religiosas, tão presentes em sua
    adolescência e juventude. Ela descobriu que os padres não a
    discriminavam e mais, diz ela. "Descobri que eu recebia o mesmo
    tratamento das demais senhoras. Pediam minha presença, me passavam
    tarefas, e melhor, os padres davam pela minha ausência, quando eu
    faltava nas coisas". Seu neto, filho de mãe solteira, também não
    enfrentou qualquer objeção. Estimulado pela avó, depois da Crisma
    continuou no grupo de Jovens, fez Jornada e só diminuiu o ritmo
    quando entrou para a Faculdade.

    De repente, a filha de dona Eva caiu doente. Era câncer. Fatal. E
    dona Eva que há tempos se preparava pra ser cuidada pela filha a quem
    já havia repassado a direção da casa, precisou buscar forças no mais
    profundo de seu coração e ser forte, aguentar o definhamento da saúde
    d a f i l h a , p e r amb u l a r p o r c o n s u l t a s , e x ame s , c u i d a d o s , encaminhamentos e ainda amparar o jovem universitário que não
    admitia o que se passava com a mãe. A filha de dona Eva faleceu,
    ficando ela e o neto. Mas a casa continuou abrigando uma família. Os
    vizinhos sabem há muitos anos, que as novenas de Natal, por exemplo,
    começam lá. Cada padre que chega novo na Paróquia é lembrado da
    bênção de sua casa. Hoje, é a saúde de dona Eva que começa a
    incomodar, mas o Neto, em vias de se formar, promete cuidar da avó tal
    como ela fez com ele e com sua mãe.
    "Moço, volte aqui mais vezes que eu ainda consigo te fazer um café.
    Mas escreva direito porque esta revista eu conheço e já li umas vezes!." -
    "Sim prometo que volto", responde este repórter, que enquanto sai enxuga
    uma lágrima, afinal acaba de visitar uma autêntica casa de família.

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