Diocese de Palmas e Francisco Beltrão

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► JORNAL DIOCESANO

    31/01/2017, por "Psicóloga Dilma Schir"

    Aquele que sou... Amor

    Desde sempre o amor é exaltado, analisado, questionado. Defini-lo será possível? Perpetua-se ele, de geração a geração, e se expressa constantemente nos amores vividos. Há conexão nas manifestações significativas de amor paixão, amor romântico, amor erótico, amor amigo, amor incondicional, permeados nas relações interpessoais, impregnados no imaginário de uma comunidade. Acepções desses amores se espalham nas múltiplas faces socioculturais.

    Reconhece-se, hoje, que o amor envolve uma multiplicidade de encontros, ora bem dispostos, ora dissonantes. É admissível que no amor espalhado nos encontros humanos prepondere o cuidado, a responsabilidade e o compromisso com o outro. No entanto, questiona-se, muitas vezes, onde estariam essas concordâncias, pois dissonâncias frequentes são o que salta aos olhos, quando se observam alguns comportamentos interpessoais. Muitas vezes os encontros são de dinamismos, outras vezes, de expressão caótica, desorganizada. Encontrar os caminhos para desvelar e analisar algumas expressões de amores e os mecanismos que as constituíram no imaginário coletivo acerca dessas representações, ao longo dos tempos, é questão pertinente para a compreensão e apreensão das dinâmicas interpessoais relacionais de nosso tempo.

    Freud afirma que o amor nasce no berço: "É verdade que o amor consiste em novas edições de antigas características e que ele repete situações infantis. Mas este é o caráter essencial de todo estado amoroso. Não existe estado deste tipo que não reproduza protótipos infantis".

    Freud é enfático ao assegurar que o amor promana de repetições de relacionamentos primeiros com os pais. Este amor é enraizado pelas elementares experiências infantis com os cuidadores que o estimulam desde o nascimento. Assim, o amor busca repetir inconscientemente, na fase adulta, as gratificações que foram estabelecidas nos primórdios da infância. O encontro que atrai para o amor estaria permeado de gestos, olhares, já vividos anteriormente, todavia adormecidos à espera do momento para despertar com todo significado simbiótico e de dependência como nas primeiras relações humanas. No amor existe uma dependência simétrica do amado e da amada para a realização e satisfação do relacionamento.

    A ação desse amor não se concretiza pelo egoísmo do eu. Ele transcende a individualidade e se multiplica em benefícios para a vivência de uma rede maior de pessoas. E simbolicamente realiza um projeto de mundo coletivo que alarga os horizontes dos que amam. Quando o amor permite ao outro ser como ele realmente é, nessa interação os amados podem sentir-se confirmados em seus mundos, por meio dos gostos comuns, das histórias e desígnios semelhantes, dos assuntos e aspirações discorridas no universo relacional com o outro.

    Na mesma perspectiva de construção de acepção de amor, a compaixão é um ato de amor incondicional, que promove e possibilita a vida, a alegria ao outro, como se fora a si mesmo. Amparar e proteger o desprovido são atitudes de compaixão, que abrandam as tristezas dos indivíduos que, com olhares ávidos de expectativas, esperam ser saciados. Esses atos de compaixão apenas são possíveis àqueles que têm olhares que transcendem a ação empática e egóica. No amor existe uma linguagem que não se articula apenas pelas palavras e, sim, pelos gestos e atitudes. Essa complementaridade de fala e atitudes corresponde ao jogo de linguagem simbólica das pessoas que mergulham um na subjetividade do outro. O eu e o outro, numa relação de entendimento mútuo, parecem chegar à plena união significativa e amorosa naquele momento. No amor, os sinais falam uma linguagem silente e evidente sentida pelos que amam, porém pode parecer loucura para os mais racionais, que pretendem compreender o jogo amoroso, muitas vezes, ininteligível pelo intelecto. Pois é na "linguagem do olhar" que, segundo Luhmann, existe um diálogo no amor, "... um diálogo interminável, sem ter de proferir qualquer palavra. (...) O amor tinge sobretudo a vivência das vivências e modifica com isso o mundo, enquanto horizonte do viver e do agir. Ele é interiorização da relação subjetivamente sistematizada com o mundo de outro".

    O que é o amor, portanto?

     

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